segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Novo recomeço

É impressionante a calma que sinto quando leio textos antigos, daquela época intensa... de amores platônicos e duradouros. Época que parece estar tão distante, mas foi meu ontem. Ainda vivo em constante mudança, mas dessa vez sinto meu controle... quando realmente quero, quando realmente me esforço, eu consigo minha felicidade. Tenho enxergado as coisas ruins que tem acontecido com outros olhos, e sempre acabo percebendo que pouca coisa vale meu sofrimento. Antes de tudo tenho me amado ao extremo, tenho tido decepções... descoberto mentiras, desencantando de quem não se encanta. Há também os momentos de tristeza, até mesmo de um certo desespero em meu coração inquieto, é ai que, em meu silêncio, eu entendo que Deus sabe o que faz. Se não me faz bem, não vale o esforço. Coisas boas se separam, para coisas melhores se juntarem, hoje eu entendo isso. Quero me apaixonar de novo, conhecer pessoas com pontos de vista diferentes, quero cultivar minhas amizades quando possível, viajar até cansar, conquistar minha independência e minha liberdade.

Quero manter essa linha de pensamento, e nunca me esquecer do valor que tenho. É mais fácil viver, perdoar e se entregar assim. Não me arrependo de ser impulsiva, nem de ter tentado fazer dar certo... mesmo achando que exatamente por isso que não deu. 

Não é de hoje que não admito lágrimas por muito tempo. Quero pessoas leves perto de mim, bem resolvidas e de personalidade forte, pensar assim me conforta... e agora um novo ciclo começa. Sou grata pelo que me foi dado, sobretudo as decepções que me deram lições para serem seguidas. Sou grata pelas pessoas, poucas que realmente viraram meu mundo de cabeça para baixo, somente para eu perceber a importância de viver... e a importância de terminar um capítulo para começar outro. Deixar ir embora, aceitar. 

sábado, 29 de janeiro de 2011

Canção

Eu sinto que perco o jeito. Sinto que perco as palavras.
Sinto minha saudade apertar.

E com uma música consigo buscar os cheiros, as sensações, a chuva. Coisas tão superficiais como filmes e seriados que eu dividia com você. Coisas minhas, sonhos meus, neuras que fizeram eu me transformar no que sou hoje. Sinceramente, eu gosto do que sou... e admito que sempre critiquei.
Me tornei o que sempre disse que não me tornaria, eu não vivo o momento. Eu penso demais, eu espero demais.

Eu posso passar tempos e tempos no silêncio, e fazendo meus deveres como um robô. Sentindo falta do que devo sentir.
Sinto que perco meu jeito rápido de escrever, de colocar pra fora tudo o que minha intensidade impõe. E perco meu vocabulário. Aceito a condição dos dias passarem um de cada vez, das oportunidades aparecerem apenas de vez em quando. Completo minha impaciência com minha atual nostalgia.
Porque eu sei... o que sou hoje, nunca será o que fui ontem. As coisas mais puras que senti hoje se mostram tão maduras, a ponto de eu entender que, talvez, elas nunca aconteçam.

E como o mundo dá voltas. Há feridas que sempre irão incomodar, mas as sensações sempre serão unicamente minhas. Assim como as alegrias que não pude retribuir... elas vão e voltam. Talvez não com as mesmas pessoas, mas elas se repetem... embaixo do meu próprio nariz.

E aquela vontade de se mudar volta, aquela necessidade de palavras de conforto... faz lembrar da amarga decepção imposta pela realidade.

Algo que escrevo na impulsividade, deixando meus dedos dançarem no teclado, e até mesmo de forma melodiosa... é o que trás e atrai você. Sim, minha saudade calada e insana.

É apenas saudade, é apenas uma canção... foi apenas uma época.
Mas nunca será apenas uma pessoa.

De tudo que me resta, nada posso tirar.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Reparos

Lembro muito bem como comecei este blog, e porque comecei. Eu me encontrava tão cheia de palavras e de vazio ao mesmo tempo, que me expressando nesse indireto diário foi minha salvação. Tudo que escrevi sempre foi pra mim, e me dava alívio sempre que precisava. E ainda me encontro comparando textos, e acabo lembrando de coisas. Vejo minhas épocas de ausência, e minhas fases de confusão... mas eu sempre soube o que isto significava. Uma visão de longe diria que antes eu era bem superficial, embora eu saiba que antes eu tinha as sensações mais vivas, e o realismo era escasso.

Hoje, ainda gosto de poesia, de palavras doces e pessoas gentis... mas eu penso muito mais nas conseqüências, no que vale a pena ou não. E eu sei as respostas, é só olhar mais profundo, você acaba entendendo tudo. O que de certo, não adianta nada, eu acabo por ser impulsiva nas horas mais inconvenientes.

De tempos em tempos, cuido deste espaço, que se torna somente meu. E tenho precisado dele, em minha constante terapia. Já ouvi opiniões negativas em relação a isto aqui, mas sempre levei em consideração só o apoio que tive. Nada irá fazer com que eu perca o orgulho disto. Porque, isto aqui, também é uma parte de mim, ainda que pequena.

O que eu escrevo no soluço da razão, tem mais sentido que muitos pensamentos já formados. Isto se torna a imagem da minha alma multiplicada. É para ser complexo e contraditório. Há uma beleza á mais nessa inconstância.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Pelo avesso

...E então, com palavras tão inocentes, eu consigo me enxergar.
O verde escuro, de tons diferentes passando rapidamente pela janela... numa velocidade maior que o normal. Olhos absortos em cenas do passado, como uma expressão de um espectador na platéia... nada de bom, nada de ruim. E logo, olhos úmidos e saudosos... sabendo que a beleza do passado, está exatamente em ser passado.
Com música calma e instrumental, a espera por coisas novas... e o tranquilo adormecer.

Me sinto tão confortável.
Ouvir coisas que eu mesma diria da boca de outra pessoa fez isso aflorar de tal maneira que durará o resto da semana.

Minha esperança equilibrista, pelo avesso.
Minha confusão abstrata e perdida... meu amor artístico e mimado
Fazem meus pensamentos incoerentes.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O Beijo, de Gustav Klimt


Gustav Klimt



Há uns dias atrás, eu peguei um documentário pelo meio sobre esse curioso artista, sobre o significado dos seus quadros e como ele demonstrava a essência da sua vida pessoal em suas obras. Gustav klimt foi um pintor austríaco. A intenção deste post não é contar sobre a carreria, formação e suas principais obras...muito menos sobre métodos usados por ele... mas somente uma obra em especial... e por que ela me deixa tão pensativa e inspirada.

O Beijo



No documentário que assisti havia uma grande discussão em cima desse quadro, e desse tema: o beijo. No quadro mostra um homem vestido com um manto beijando uma moça, de forma delicada. A identidade da mulher é até hoje fonte de discussão, poderia ser uma parceira do pintor, que embora nunca tivessem tido um relacionamento sério e nem assumido, ela era sua parceira... e ele era dela...se amavam.

Porém a vida do pintor era livre, e ele se envolvia com mulheres de forma desapegada, apesar de mostrar tanta intensidade e sentimento em seus quadros. Um de seus temas favoritos era este. Particularmente, o amor impossível... rodeado de problemas e más intenções alheias... como ele mostra em outras obras.
No quadro é difícil encontrar alguma paixão na postura da mulher, na expressão da sua face, na maneira como tem os pés colocados, flexionados e tensos; o braço esquerdo, quase como se protegesse, tentando não receber o que ele lhe é dado... porém se entregando parcialmente, deixando a boca dele tocá-la. Mostra a submissão da mulher, a necessidade de ela ser protegida. E mostra o medo, seu punho direito nos ombros do homem estão fechados, demonstrando que ela está 'fechada'... exatamente como uma íntima forma de proteção.

A imagem me inspira, é um belo retrato do que acontece com a maioria das pessoas hoje em dia.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Desapontamento

***
Minha inspiração vem da ilusão
Tenho deixado o receio de escrever
E falar de coisas que todos pretendem esconder.
E eu ainda não o conheci

Tento ser verdadeira e não entrar em devaneios
Essa frieza aparente machuca
Meu coração está...ignescente
De um amor que nunca pode ser demonstrado
Por ser diferente

Das possibilidades que aparecem
o que esperar, se não decepções?
Por mais que tente imaginar o contrário
Minha consciência me convence que não há exceções

O conforto encontrado na rotina
O esquecimento em meio á raiva
Me traz clareza
...um assunto complicado.

Estou adormecida
e a decepção maior é comigo mesma
Por ter compreendido.
***