Minha preguiça social me faz enxergar que a rotina é lavada com minha paciência, que embora sempre foi muita, se tornou silenciosamente escassa.
Pensar vazio, agir com os olhos.
Sim, as coisas se mostram mais claras quando o moralismo some. E não há quem não seja moralista, em algum instante você julga algo ou alguém, porém os momentos que isto se torna ausente são os que nos libertam do senso-comum. E o senso-comum nos impõe todos os valores contorcidos; haverá diferenças e imperfeições... mas nunca nada ficará isolado. Existem milhares de pessoas diferentes, estranhas, especiais e permanentemente atraentes. O único é ilusório e a maioria dos comportamentos nunca serão dignos de uma teoria.
É uma linha de pensamento que vai contra muitas idéias que acreditei durante muito tempo. Porém, quem sou eu para duvidar? É mais um desabafo do que uma hipótese.
Madrugadas assim abstraem minhas penitências.
Reflito agressivamente e de forma tola sobre o que parece ser, e o que quer parecer ser.
O que antes era ermo e inocente, adquiri características corrosivas. É confuso, eu sei, mas eu falo de um tempo passado, com consequências atuais. Mas tentar entender é inútil... em toda e qualquer situação.
Madrugadas assim me desconcertam com a imperfeição daquele tempo. O que me tornei hoje, dependeu daquele passado. E aquela imperfeição foi meu melhor lar.
Com minha veia poética e utópica, vou idealizando o irreal... pois é nele que está minha segurança. A certeza de que nunca me decepcionará.
Porém, o fato de deixar os dias escorrerem pelos meus dedos atribuo ao meu realismo melancolico e desiludido. Assim, há o equilibrio perfeito entre a essência individual e a personalidade evitada.
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