terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

21 de fevereiro

Sinceramente, não sei por onde começar... talvez tenha perdido o jeito de escrever, ou tenha criado um bloqueio... mais um pra minha coleção.
Eu precisava colocar esse sentimento pra fora. Já que é só uma vez no ano que me sinto assim.
Todos os aniversários que tive, pelo menos á partir dos 16 anos, eu tenho essa sensação, com festa ou não, muitos presentes e atenção... ou não.
Enfim, eu não me importo com uma grande festa que todos irão comentar durante um bom tempo.

Um dia simples... mas, nunca me senti tão introspectiva e influenciada como este 21 de fevereiro.
Bom, como disse não me importo com festas... mas me importo com quem se lembra de mim e como irão demonstrar isso.

Durante o dia inteiro recebi ligações de amigos e familiares, o que me deixou muito feliz... pois não esperava que alguns ligassem. E posso dizer de boca cheia, que nenhuma das pessoas que são essenciais pra mim esqueceram disso.

Passando da parte 'pessoas' para a parte 'mudanças'... eu sempre fico me comparando comigo mesma, percebendo paradoxos em tudo que penso. E hoje em dia vejo que perdi um pouco da menina romântica que imperou durante muito tempo, eu penso demais... e isso chega a ser irritante. Agora minha forma de me apaixonar é travada. Perdi um pouco da confiança que depositava nos meus amigos mais próximos, tive muitas decepções em pouco tempo. Tive mudanças ruins para minha inocência, mas aprendi a ficar triste sem sofrer... bom, meu sofrimento não passa de semanas. Ou talvez toda aquela intensidade fossem só 'hormônios adolescentes'.

E durante a minha viagem rotineira, eu pensei em tudo isso. Pensei nas pessoas que passaram por minha vida... minhas primeiras paixões desde a escola até eu fingir ter perdido o gosto por me apaixonar. Pensei em todos os amigos que tive, e pensei nos que me afastei. Me senti grata... e cometeria os mesmo erros, perdoaria de novo e me decepcionaria com as mesmas pessoas... querendo ou não, sem elas hoje eu não pensaria do jeito que penso. Tenho uma boa visão do que é preciso para ser uma pessoa digna de admiração, mesmo que de poucos. Consegui inverter o papel de uma garota fútil, para uma mulher com sede de conhecimento. Ainda sou nova, mas tenho a impressão que sempre sentirei ter uma alma totalmente infantil.

Quando desci em direção ao carro, que de propósito havia parado um pouco mais longe, olhei a rua vazia e senti o ar frio... como se fosse a última vez. E lembrei vagamente dos momentos que passei nas ruas desertas dessa cidade, que por muito tempo reclamei. Hoje, já adoro onde moro, o ar é limpo, e a natureza é próxima. O mar renova, em momentos que me encontrava angustiada, foi meu único amigo e secreto ouvinte que tive sempre ao meu alcance.

O dia todo com esta sensação. Me senti triste, inteira e ao mesmo tempo grata por isso. Como se não precisasse de mais nada e estivesse na rotina que gostaria de estar. Sim, gratidão.
É sempre importante.

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